Níveis e exames

Níveis de Inglês: o que A1, A2, B1, B2, C1 e C2 Significam de Verdade

Seis níveis, uma escala e vários exames que dizem medir isso. O que cada nível te permite fazer, e como descobrir onde o seu inglês está.

Por Bruna Marreiros, especialista de conteúdo do Cambly · 28 de set de 2026 · Atualizado em 13 de out de 2026 · 12 min de leitura

Quadro com os níveis de inglês A1 a C2, do iniciante ao proficiente.

O CEFR, Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas publicado pelo Conselho da Europa, organiza a proficiência em seis níveis: A1 e A2 (usuário básico), B1 e B2 (usuário independente), C1 e C2 (usuário proficiente). Cada nível descreve o que você consegue fazer em inglês: manter uma conversa, acompanhar uma reunião, ler um contrato, etc.

Alguém pergunta qual é o seu nível de inglês. Você diz "intermediário" e espera que isso baste. Depois uma vaga pede B2, uma universidade pede IELTS 6,5, um curso se chama "upper-intermediate" e uma professora já te disse que seu inglês era "bem bom": quatro escalas, uma pergunta sobre você e nenhuma forma óbvia de alinhá-las.

Os níveis de inglês são a resposta que o resto do mundo dá a essa pergunta. Os níveis do CEFR, de A1 a C2, estão por trás da maioria dos catálogos de curso, da maioria dos anúncios de vaga que citam um nível e da maioria dos relatórios de nota de exame que você vai receber na vida. Eles descrevem o que você entende, o que consegue dizer e quanta ajuda precisa para dizer.

De onde vêm os seis níveis

O Conselho da Europa publicou o Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas em 2001, e desde então os seis níveis viraram a forma padrão de descrever proficiência. Ministérios da educação usam os níveis para definir metas de currículo, bancas de exame alinham suas escalas de nota a eles, autoridades de imigração os escrevem em regras de visto. Quando um anúncio de vaga em São Paulo e a página de uma universidade em Istambul pedem B2, os dois querem dizer aproximadamente a mesma coisa, que é todo o propósito de existir uma escala.

O quadro foi construído para servir a qualquer idioma, então ele descreve comportamento, e não conteúdo. Não existe lista oficial de vocabulário do CEFR nem programa oficial de gramática de B1. Um nível é definido pelo que a pessoa consegue fazer: acompanhar este tipo de conversa, escrever este tipo de texto, lidar com esta velocidade e este tanto de abstração.

Duas consequências seguem daí. Os níveis são largos, então o B1 cobre uma faixa grande de habilidade e dois falantes de B1 podem soar bem diferentes um do outro. E um nível é uma descrição do que você consegue fazer: você o tem, tenha ou não feito algum exame que diga isso.

Os seis níveis, um por um

Leia estas descrições pensando no seu pior dia. O nível que você entrega num dia bom, descansado, sobre um assunto familiar e com um interlocutor paciente costuma estar um passo acima do nível que você realmente tem.

A1

No A1 você consegue se apresentar, dizer de onde é, pedir comida, perguntar quanto custa algo e entender alguém que fala devagar e está claramente tentando te ajudar. Quase tudo o que você produz é decorado ou quase: frases inteiras que você já praticou. Montar frases na hora vem depois.

O que costuma travar quem está no A1 é qualquer coisa fora do roteiro. Uma pergunta de acompanhamento que você não esperava encerra a conversa. Escutar é a mais difícil das quatro habilidades aqui, porque a fala real corre muito mais rápido que as gravações de um curso de iniciante.

A passagem para o A2 vem de volume de exposição. Centenas de trocas curtas e simples, até as frases do dia a dia chegarem sem passar pela tradução.

A2

O A2 cobre a vida cotidiana. Você fala da sua família, do seu trabalho, da sua rotina, do que fez no fim de semana. Consegue ler um menu, uma mensagem curta, um formulário simples. Consegue pedir o que precisa numa loja ou numa estação de metrô e acompanhar a resposta se ela vier de forma direta.

A parede do A2 é o tempo verbal. Você tem a língua para o que está acontecendo; fica bem mais inseguro no que aconteceu, no que vai acontecer, no que teria acontecido. As conversas tendem a ficar no presente e a ficar curtas.

O salto para o B1 vem de falar por mais tempo. Respostas de dois minutos em vez de respostas de duas frases. Normalmente é aí que os tempos verbais deixam de ser exercício e passam a ser algo que você usa sem pensar.

B1

O B1 é onde o inglês fica utilizável. Você acompanha uma conversa sobre um assunto familiar, dá uma opinião e uma razão para ela, resolve a maior parte do que aparece numa viagem e escreve um e-mail de trabalho simples. Se um colega fala com clareza, você entra na conversa.

O que pega quem está no B1 é velocidade e abstração chegando juntas. Uma reunião rápida entre nativos, um filme sem legenda, uma ligação com áudio ruim: quem está no B1 descreve essas situações como exaustivas, não como impossíveis. Você acompanha o assunto e perde o fio.

O B1 também é confortável o suficiente para a pressão de melhorar desaparecer, e anos podem passar dentro do mesmo nível. Progredir daqui vem de escolher de propósito assuntos que você ainda não consegue discutir.

B2

O B2 é o nível que a maioria dos empregadores e das universidades tem em mente quando pede um nível. Você acompanha uma discussão técnica da sua área, defende uma posição, assiste a um filme e pega a trama e a maior parte das piadas, e escreve algo que um colega lê tranquilamente.

Quem está no B2 ainda é pego por expressões idiomáticas, humor, sotaques desconhecidos e o registro informal e veloz de um grupo de amigos falando por cima um do outro. A distância entre "consigo apresentar para esta sala" e "consigo entrar na conversa fiada antes da reunião começar" é uma experiência real e comum no B2.

C1

O C1 vem de repertório. Conseguir dizer a mesma coisa de três formas diferentes e escolher a que serve dependendo do momento.

No C1 o inglês deixa de ser matéria e passa a ser ferramenta. Você lê textos longos e exigentes e captura o que está implícito além do que está dito, fala sem procurar palavras de forma visível, reestrutura uma frase no meio quando ela não vai para onde você queria, e trabalha ou estuda em inglês sem ninguém desacelerar por você.

O que normalmente ainda falta no C1 é precisão sob pressão: as variações de tom, a expressão totalmente idiomática, a piada que depende de uma referência cultural com a qual você não cresceu.

Chegar ao C2 leva anos de uso, e a maioria dos aprendizes nunca precisa disso. O C1 basta para quase qualquer trabalho e quase qualquer diploma.

C2

O C2 descreve quem lê qualquer coisa, acompanha qualquer coisa e expressa distinções finas de sentido sem esforço. Resumir um argumento complicado montado a partir de várias fontes, captar ironia, transitar entre o registro de um documento jurídico e o registro de um bar: tudo disponível.

O C2 não diz nada sobre sotaque. Muita gente no C2 mantém um sotaque forte da própria língua a vida inteira. O que o nível significa é que a língua já não limita o que a pessoa consegue dizer.

A maioria dos trabalhos e a maioria dos diplomas pede B2 ou C1, então a certificação de C2 raramente é exigida de alguém.

Por que você pode ser dois níveis ao mesmo tempo

O CEFR descreve quatro habilidades separadamente: escutar, ler, falar e escrever. Muitas pessoas não estão no mesmo nível nas quatro, e a distância entre a mais forte e a mais fraca pode ser de um degrau inteiro.

Quem estudou inglês na escola no Brasil costuma descrever a mesma coisa: lê razoavelmente bem, entende boa parte do que escuta e trava na hora de falar. Isso vem de como a matéria foi ensinada: anos de verb to be, exercícios de completar lacuna, tradução de texto e prova escrita, com muito pouco tempo de fala. Quem lê um artigo em inglês sem dificuldade e trava quando um colega faz uma pergunta direta numa reunião não está inventando esse desencontro. São mesmo dois níveis diferentes convivendo na mesma pessoa.

Isso importa de duas formas práticas. Exames reportam uma nota por habilidade, e muitas exigências são definidas por habilidade, então uma boa nota geral com um componente fraco ainda pode te deixar de fora de um vaga de emprego, por exemplo. E se você quer melhorar o seu nível geral, o que vale trabalhar é a sua habilidade mais baixa, que para a maioria das pessoas é a fala.

O CEFR e os exames que você realmente vai encontrar

O CEFR é a escala. Os exames são os instrumentos, e cada banca publica o próprio alinhamento ao CEFR. É por isso que as notas não se convertem de forma limpa de um exame para outro.

Alinhamentos aproximados. As faixas se sobrepõem, as instituições definem os próprios limites e, no TOEFL, os cortes de faixa variam por seção, então cada linha desta tabela é uma simplificação de quatro conversões de nota separadas.

  • A1

    TOEFL iBT:
    Abaixo da faixa reportada
    IELTS:
    Abaixo da faixa reportada
    TOEIC L&R:
    120–224
    Cambridge:
    Pre A1 / A1 (exames infantis)
  • A2

    TOEFL iBT:
    Abaixo da faixa reportada
    IELTS:
    Abaixo da faixa reportada
    TOEIC L&R:
    225–549
    Cambridge:
    A2 Key
  • B1

    TOEFL iBT:
    Faixa 3,0–3,5 (≈44–71 na escala antiga)
    IELTS:
    4,0–5,0
    TOEIC L&R:
    550–784
    Cambridge:
    B1 Preliminary
  • B2

    TOEFL iBT:
    Faixa 4,0–4,5 (≈72–94 na escala antiga)
    IELTS:
    5,5–6,5
    TOEIC L&R:
    785–944
    Cambridge:
    B2 First
  • C1

    TOEFL iBT:
    Faixa 5,0–5,5 (≈95–113 na escala antiga)
    IELTS:
    7,0–8,0
    TOEIC L&R:
    945+
    Cambridge:
    C1 Advanced
  • C2

    TOEFL iBT:
    Faixa 6,0 (≈114–120 na escala antiga)
    IELTS:
    8,5–9,0
    TOEIC L&R:
    Não reportado
    Cambridge:
    C2 Proficiency

Alinhamentos aproximados. As faixas se sobrepõem, as instituições definem os próprios limites e, no TOEFL, os cortes de faixa variam por seção, então cada linha desta tabela é uma simplificação de quatro conversões de nota separadas.

CEFR

TOEFL iBT

IELTS

TOEIC L&R

Cambridge

A1

Abaixo da faixa reportada

Abaixo da faixa reportada

120–224

Pre A1 / A1 (exames infantis)

A2

Abaixo da faixa reportada

Abaixo da faixa reportada

225–549

A2 Key

B1

Faixa 3,0–3,5 (≈44–71 na escala antiga)

4,0–5,0

550–784

B1 Preliminary

B2

Faixa 4,0–4,5 (≈72–94 na escala antiga)

5,5–6,5

785–944

B2 First

C1

Faixa 5,0–5,5 (≈95–113 na escala antiga)

7,0–8,0

945+

C1 Advanced

C2

Faixa 6,0 (≈114–120 na escala antiga)

8,5–9,0

Não reportado

C2 Proficiency

Três coisas sobre essa tabela merecem ser destacadas.

O TOEFL iBT mudou a escala de notas em 21 de janeiro de 2026. As notas agora são reportadas em faixas de 1 a 6, em passos de meio ponto, alinhadas diretamente ao CEFR, e a nota geral é a média das quatro seções em vez da soma delas, então uma exigência antiga de "100 de 120" não se traduz por aritmética. Durante uma janela de transição que vai até janeiro de 2028, todo relatório de nota mostra três coisas: o nível CEFR, as faixas de 1 a 6 e um número comparável na escala antiga de 0 a 120. Qualquer tabela de conversão que só liste números de 0 a 120 está desatualizada. Um detalhe a mais: os cortes de faixa são definidos por seção, então a mesma nota escalada pode ser uma faixa em Leitura e meia faixa abaixo em Fala.

O IELTS é explícito ao dizer que o próprio alinhamento ao CEFR é aproximado. A orientação publicada coloca o limiar do C1 em algum ponto entre 6,5 e 7,0, trata 8 como limítrofe para C2 e reconhece 8,5 ou mais como C2. Então um 6,5 costuma ser descrito como B2 alto, e não C1, e uma instituição que precisa de confiança no C1 tende a pedir 7,0.

O TOEIC Listening and Reading não reporta C2, e as faixas dependem dos mínimos por seção, não só do total. Um total que passa da linha do B2 ainda pode ser lido como B1 se uma das seções ficar atrás.

Quanto tempo leva para subir um nível

A Cambridge English coloca o número em aproximadamente 200 horas de aprendizagem guiada para passar de um nível do CEFR para o seguinte, e o salto específico de B1 para B2 fica nessa faixa.

Horas de aprendizagem guiada são estudo estruturado, ensinado ou supervisionado: aulas, sessões com tutor, prática acompanhada. Filme, música e rolar o feed em inglês ajudam, mas nada disso conta para esse número.

Duas coisas seguem daí. Horas guiadas não são tempo de calendário, então 200 horas são cerca de quatro meses a duas horas por dia, ou aproximadamente quatro anos a uma aula por semana. E as horas aumentam conforme você sobe, então o esforço que te levou de A2 para B1 não vai te levar de B1 para B2 na mesma velocidade.

Quem promete um nível em um número fixo de semanas está descrevendo um cronograma de estudo, não uma velocidade de aprendizagem.

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Como descobrir o seu nível

Se você chegou aqui para descobrir o seu nível, uma tabela sozinha não resolve. Você precisa de algo que teste as quatro habilidades, e a fala é a que a autoavaliação erra mais.

Três caminhos, em ordem crescente de quanto você pode confiar no resultado:

  1. Comparar-se com as descrições acima. Grátis, leva cinco minutos e é mais ou menos correto para leitura e escuta. Leia pensando no seu pior dia.
  2. Fazer um teste de nivelamento online gratuito. A maioria mede gramática e vocabulário por múltipla escolha. Serve para uma faixa aproximada e é cega para a fala.
  3. Conversar com um professor. Trinta minutos de conversa já deixam claro onde você trava e em quais assuntos consegue se manter. Se você pedir uma devolutiva honesta, também sai de lá sabendo o que atacar primeiro.

A fala não é medida por questões de múltipla escolha, então, se você quer uma noção concreta dessa habilidade, falar de verdade é o caminho mais curto.

Fechando a lacuna na sua habilidade mais fraca

A fala fica atrás por um motivo específico. Ler e escutar são coisas que você faz sozinho, no seu horário, o quanto quiser. Falar precisa de outra pessoa, em tempo real, e é a única das quatro em que você não pode pausar para pensar. Anos de estudo conseguem aprimorar três habilidades e deixar a quarta praticamente onde começou.

O que significa que o caminho mais rápido para mover o seu nível geral costuma ser justamente o que as pessoas adiam: conversar com alguém. Um tutor trabalha a partir do que você consegue fazer hoje, percebe o mesmo erro na semana um e na semana seis, e continua empurrando a conversa para além do que você já resolve com conforto.

O Cambly oferece conversas por vídeo com tutores de inglês, disponível sempre que você tiver trinta minutos livres, sem horário fixo. Se a sua leitura está no B2 e a sua fala está no B1, essa lacuna é o que a aula com tutor fecha.

Por onde começar

Se você leu as seis descrições e se reconheceu em algum ponto do meio, essa é a resposta normal, e é um lugar mais útil para começar do que um certificado. Que nível você tem importa muito menos do que qual habilidade está segurando ele. Para a maioria de quem está lendo isso, essa habilidade é a fala — e ela evolui mais rápido que as outras três assim que você começa a usar o inglês de verdade.

Perguntas frequentes

Comparar-se com as descrições dos níveis chega perto para leitura e escuta. É menos confiável para a fala, que normalmente é justamente a habilidade que as pessoas estão perguntando. Um teste de nivelamento gratuito dá uma faixa aproximada a partir de perguntas de gramática e vocabulário. Uma conversa com um professor é o único método que situa a sua fala com precisão.


"Intermediário" é o rótulo que as escolas brasileiras usam, e ele cobre B1 e B2 no CEFR, que são dois lugares bem diferentes. No B1 você conversa sobre assuntos familiares e escreve um e-mail simples, mas uma reunião rápida entre nativos ainda é exaustiva. No B2 você acompanha uma discussão técnica da sua área e defende uma posição. Quando um anúncio de vaga pede "inglês intermediário", vale descobrir qual dos dois: a diferença entre B1 e B2 é o que decide se você vai acompanhar as reuniões.


O C1 é o segundo nível mais alto, descrito como uso avançado ou proficiente. Quem está no C1 lê textos longos e exigentes e capta o que está implícito, fala sem caçar palavras e trabalha ou estuda em inglês sem ninguém se adaptar. O degrau a partir do B2 é principalmente repertório: conseguir formular o mesmo ponto de várias maneiras e escolher a que serve para a situação.


Use o código do CEFR quando tiver como sustentá-lo, e o exame e a nota quando tiver um certificado. "Inglês B2" é mais informativo que "inglês intermediário", porque o rótulo em palavras varia de escola para escola e o código não. E declare o nível que você entrega numa reunião ruim, não o do seu melhor dia: a checagem costuma acontecer na entrevista, em inglês.


Duas exigências diferentes se confundem aqui. Uma é o piso: a regra de imigração do país para onde você vai, que define um nível mínimo para estudar por lá. A outra é a barra da instituição: a universidade ou o programa define a própria exigência de admissão, e ela normalmente é mais alta que o piso. Na pós-graduação a separação aparece do mesmo jeito, porque cada programa define a própria prova de proficiência e aprovação em uma não vale automaticamente em outra. Cumprir o piso não significa cumprir a exigência de quem vai te aceitar.


A Cambridge English estima aproximadamente 200 horas de aprendizagem guiada por nível do CEFR, e o salto de B1 para B2 fica nessa faixa. Horas guiadas são estudo ensinado ou supervisionado, então o tempo de calendário depende inteiramente da sua rotina: 200 horas são quatro meses a duas horas por dia, ou cerca de quatro anos a uma aula por semana. Os níveis mais altos levam mais horas que os mais baixos.